Pássaro Azul

11 mars 2007

Voltar às origens :)

Canalblog acolheu-me durante algum tempo, mas acabei por voltar ao meu blog O Pássaro Azul no blogspot.

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31 déc. 2006

Tudo continua

Muita luz e calor - sabedoria e compaixão, em termos budistas! - para todos os amigos que pouco me vêm ultimamente:)
E obrigada pela paciência! Embora o último par de meses tenha sido de trabalho intenso, que não me tem permitido escrever, não esqueci ninguém! E novos dias e projectos vão vir! (mesmo se "nada começa"!). Habituar-me a ser novamente eu tem sido o desafio. Há todos esses sabores, cores e cheiros familiares de voltar a abrir uma casa que conhecemos mas que esteve fechada e há o percorrer dos jardins, das salas e quartos, com tudo o que entretanto somos e fizemos e se bem que a noção de familiaridade e voltar a casa seja contentamento, há todo um ajustar pois temos um novo olhar. E uma nova completude.

Nada começa: tudo continua.
Onde 'stamos, que vemos só passar?
O dia muda, lento, no amplo ar;
Múrmura, em sombras, flui a água nua.

Vêm de longe,
Só nosso vê-las teve começar.
Em cadeias do tempo e do lugar,
É abismo o começo e ausência.

Nenhum ano começa. É Eternidade!
Agora, sempre, a mesma Idade,
Precípicio de Deus sobre o momento,

Na curva do amplo céu o dia esfria,
A água corre mais múrmura e sombria
E é tudo o mesmo: e verbo o pensamento.

Fernando Pessoa

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22 nov. 2006

Os cinco elementos na tradição tibetana

Excerto de um artigo que estive a escrever...

Na cultura tibetana os cinco elementos – terra, água, fogo, ar e espaço – são considerados como a própria substância de todos os fenómenos e processos. Os nomes atribuídos a estes elementos são simbólicos e sugerem determinadas qualidades e modos de acção, em analogia com elementos familiares do ambiente natural. Essas qualidades tanto são físicas como psicológicas. A qualidade física da terra é a solidez, a do fogo, o calor, a do ar, o movimento, a da água, a coesão, e a do espaço é a dimensão na qual os outros elementos podem surgir e mover-se. Os elementos estão igualmente relacionados com diferentes emoções, temperamentos, direcções, cores, formas, doenças, padrões de pensamento, etc. Na tradição tibetana, tudo existe pela interacção destes cinco aspectos da energia. Do macrocosmos ao microcosmos, tudo é criado, tudo é sustentado e depois destruído, pela acção destes elementos. No ser humano, os ossos e a carne manifestam o elemento terra, que nos confere a solidez e a firmeza do corpo e é responsável pelo tacto e pela percepção. O sangue e outros fluidos relacionam-se com o elemento água, que confere coesão ao corpo, e é responsável pelo paladar. O metabolismo e o calor corporal manifestam o elemento fogo, responsável pelo crescimento e pelo sentido da visão.

O sistema respiratório, o oxigénio e outros gazes relacionam-se com o elemento ar, e é graças a este elemento que podemos respirar e pensar. O ar é responsável pelo movimento e pelo olfacto. Finalmente, o espaço que o corpo ocupa, a sua relação com outros corpos, assim como a consciência, manifestam o elemento espaço. Sem o elemento espaço não existisse o espaço, nada poderia existir. É responsável pela audição

Segundo Tenzin Wangyal Rinpoché, autor de “Healing with Form, Energy and Light”, pensar em termos de elementos não significa para os ocidentais desistir do moderno conhecimento da Química, da Física, da Medicina e da Psicologia. Os elementos fornecem-nos uma metáfora essencial que ajuda a explicar a dinâmica que está por detrás destas disciplinas. Ao entender esta metáfora dos elementos, podemos perceber que dimensões da experiência aparentemente muito diferentes são na realidade níveis mais ou menos grosseiros ou mais ou menos subtis dos elementos. Um excesso do elemento fogo, por exemplo, manifesta-se nas dimensões, física, energética, mental e espiritual. Estas dimensões não são estanques, mas representações cada vez mais refinadas ou grosseiras da mesma energia fundamental.

Cada um de nós vem a este mundo como uma manifestação única destes elementos, que podem estar mais ou menos em equilíbrio. Alguém pode nascer com um desequilíbrio acentuado, por exemplo, do elemento fogo, que se pode traduzir por dificuldades de digestão. Pequenas diferenças nas combinações dos elementos criam as características diferentes, tanto físicas como temperamentais e outras, de indivíduo para indivíduo. Depois do nascimento, o ambiente, as respostas do indivíduo ao ambiente afecta a dinâmica desta relação. Não só as grandes crises afectam este equilíbrio, os pequenos gestos e atitudes, sobretudo se repetidos, também têm consequências. Cada acção, seja a que nível for, é uma expressão do jogo dos elementos e um reforço das condições que a originaram. A raiva, por exemplo, é outra manifestação do elemento fogo. Se habitualmente reagimos com raiva, vamos acentuar o fogo dentro de nós, neste caso, na sua expressão desarmoniosa. Da mesma forma, ao responder criativamente a um estímulo, estamos igualmente a manifestar uma qualidade do fogo, mas desta vez, na sua vertente positiva. Com o tempo, o padrão habitual do nosso comportamento favorece o desenvolvimento (harmonioso ou desarmonioso) de certos elementos, ou, pelo contrário, enfraquece outros. Normas culturais e sociais podem também favorecer certas características em detrimento de outras. Ao crescer num meio que favoreça a agressividade, vamos da mesma forma reforçar o elemento fogo do nosso exemplo. A doença em particular, é uma manifestação desse desequilíbrio.

Pensamentos, emoções, alimentação, relações, movimentos, etc., tudo pode influenciar o desequilíbrio dos elementos. Mas também podemos utilizar tudo – pensamentos, emoções, alimentação, relações, movimentos, para os equilibrar.

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19 nov. 2006

milagres

O milagre não é andar sobre a água. O milagre é andar sobre a terra no momento presente. A paz está em todo o lado à nossa volta – no mundo e na natureza – e em nós – no nosso corpo e no nosso espírito. Quando aprendermos a tocar essa paz, seremos curados e transformados.

Thich Nhat Hanh, Bouddha vivant, Christ vivant

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14 nov. 2006

Retiro

Chance furnishes me what I need.
I am like a man who stumbles along; my foot strikes something,
I bend over and it is exactly what I want.
--- James Joyce

um sabor um cheiro um gesto o rasto da água na areia quieto e perfeito

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08 nov. 2006

Mudanças

É como se tivesse recebido uma casa nova e contudo não consigo habituar-me a ela, pois continuo a olhar para a outra casa, mais velha, gasta e muito usada, mas talvez mais acolhedora e familiar. Portanto estou a olhar para esta casa e parece que o chão é demasiado brilhante e tenho medo de o sujar, as paredes demasiado bem pintadas e não admitem um risco, e se me sentar neste sofá a tomar um chá, será que não vou entornar a chávena e deixar uma nódoa?

Mas arrisco-me. E risco.

Recebi hoje este poema:

Espaço sagrado, santuário
Não palavras
Não desejo
Não vontade
Fundo mais fundo
coração da terra.

Deveria passar a haver outro género literário: poesia sms.

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06 nov. 2006

foto

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