31 déc. 2006
Tudo continua

Muita luz e calor - sabedoria e compaixão, em termos budistas! - para todos os amigos que pouco me vêm ultimamente:)
E obrigada pela paciência! Embora o último par de meses tenha sido de trabalho intenso, que não me tem permitido escrever, não esqueci ninguém! E novos dias e projectos vão vir! (mesmo se "nada começa"!). Habituar-me a ser novamente eu tem sido o desafio. Há todos esses sabores, cores e cheiros familiares de voltar a abrir uma casa que conhecemos mas que esteve fechada e há o percorrer dos jardins, das salas e quartos, com tudo o que entretanto somos e fizemos e se bem que a noção de familiaridade e voltar a casa seja contentamento, há todo um ajustar pois temos um novo olhar. E uma nova completude.
Nada começa: tudo continua.
Onde 'stamos, que vemos só passar?
O dia muda, lento, no amplo ar;
Múrmura, em sombras, flui a água nua.
Vêm de longe,
Só nosso vê-las teve começar.
Em cadeias do tempo e do lugar,
É abismo o começo e ausência.
Nenhum ano começa. É Eternidade!
Agora, sempre, a mesma Idade,
Precípicio de Deus sobre o momento,
Na curva do amplo céu o dia esfria,
A água corre mais múrmura e sombria
E é tudo o mesmo: e verbo o pensamento.
Fernando Pessoa